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APOLOGÉTICA ESPIRITISMO-SEITAS

Apologética       Espiritismo

O ESPIRITISMO, À LUZ DAS ESCRITURAS SAGRADAS

Publicado em 11/25/2002

Pr. Eber S. Jamil
Material original de God Page

Dt 8.9-15
Urge estudarmos sobre o espiritismo. Pois o nosso País é considerado o maior reduto espírita do mundo. E onde ocorre o sincretismo, principalmente, das religiões: africanas, indígenas e católica. Cerca de 70% dos católicos brasileiros são freqüentadores de Centros Espíritas. Cada “santo” católico tem a sua entidade espírita correspondente.
O trecho bíblico acima afirma que: quem ouve ao espiritismo não está ouvindo a Cristo, e quem ouve a Cristo não ouve ao espiritismo.

PARTE 1 – BREVE HISTÓRICO DO ESPIRITISMO

Primeira sessão espírita – Gn 3.1

1. As sessões espíritas são feitas com estes elementos: médiuns, demônios ou guias e assistentes.
2. Cananeus, egípcios, babilônicos, romanos e gregos.
3 As irmãs Margareth e Katie Fox de 11 e 9 anos de idade, respectivamente. Tiveram contato com o pseudo espírito de Charles Rosna. Após grande divulgação na mídia as irmãs tentaram desfazer as crenças que haviam difundido. Katie em 10/10/88 durante uma entrevista disse: Tudo sem exceção foi fraude.
4. Alan Kardeck começou seu movimento em Abril de 1956 na França. Seu verdadeiro nome é Hippolyte Léon Denizard Rivail. Tomou o pseudônimo pois acreditava ser a reencarnação de um poeta celta com esse nome. Ele introduziu a idéia de reencarnação no espiritismo.

PARTE 2 – TESES ESPÍRITAS À LUZ DAS ESCRITURAS SAGRADAS

1. Deus existe, mas está longe demais, e só se manifesta por meio de intermediários, que são os espíritos-guias. Sendo assim Deus é inatingível

Refutação Bíblica:
Deus condena à prática da mediunidade que consulta espíritos-guias e mortos – Lv 19.31, Lv 20.6 e Is 8.19 e 20.
Deus nos exorta a não ouvir espíritos enganadores – I Tm 4. 1 e 2, Gl 1.8 e II Co 11.14.
Deus nos busca, quer comungar conosco e nos é acessível através de Jesus Cristo – Is 55. 6 e 7; Is 59. 1 e 2; Jo 1.14, 4.23, 14.6-11, 14.23 e Hb 1.1.

2. Possibilidade de comunicação de mortos com vivos. E ainda pregam o valor das preces pelos mortos e espíritos sofredores.

Refutação Bíblica:

Como temos ensinado o espiritismo tenta dar respostas para problemas embaraçosos por meio da magia e invocação de espíritos. E um desses problemas é a morte. Muitas pessoas iludidas tentam se comunicar com o avô, pai, filho e etc.

A consulta aos mortos está proibida nas Escrituras – Dt 18.10-12 e Is 8.18 e 19.
Os mortos não sabem o que acontecem na terra – Ec 9.5 e 6, Sl 88.10-12 e Is 38.18 e 19.
Os mortos não podem ajudar os vivos – Lc 16.19-31

A vida no porvir é conseqüência da nossa decisão na terra.

Se fosse possível que o espírito dum falecido pudesse ajudar os vivos, Deus teria permitido que Lázaro ou o próprio homem rico, ou melhor, o pobre homem rico ajudasse seus parentes.

Tudo quanto o homem precisa a saber para sua salvação está registrado nas Escrituras.

É impossível minorar o sofrimento de um ser humano condenado eternamente.

Os vivos não podem ajudar aos mortos (Hb 9.27, Jo 3.18 e 19 e Es 12.7)

Os mortos não podem se arrepender. Aquele que se arrepende abandona o pecado e volta para Deus. Os mortos não podem fazer isto. Como poderá um espírito arrepender-se de praticar o mal, se ele não tem condição de praticá-lo?

3. Reencarnação

É a crença no retorno do espírito à vida terrena, em um corpo humano, ora para purificar as más ações na vida anterior, ora para cumprir uma missão especial. Seria um meio de purgar os pecados e evoluir moralmente e espiritualmente. Sendo o número de reencarnações sem limites definidos. O espiritismo classifica os espíritos em quatro categorias: imperfeitos, bons, superiores e puros. Podendo o espírito galgar sozinho as “categorias espirituais” através das boas ações e sucessivas reencarnações. —

Refutação Bíblica:

Essa tese tenta anular o valor do sacrifício de Jesus. Se o homem pode reencarnar-se porque Jesus morreria por nossos pecados? A reencarnação é mentira do diabo. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo – Jo 3.29, Mt 20.28, I Pe 2.21-25, II Pe 2.1 e Cl 2.14.
A Bíblia declara claramente que quando o homem morre só duas coisas acontecem: o corpo volta ao pó e o espírito volta a Deus (Ec 12.7).
A Bíblia declara claramente, também, que ao homem está ordenado morrer uma só vez (Hb 9.27).
A Bíblia declara claramente, também, que a salvação só se alcança mediante a fé, e nunca meritoriamente. Jo 3.16, At 16.30 e 31 e Ef 2. 8 e 9.
Os espíritas tentam dar um sentido bíblico a doutrina da reencarnação. (É bom lembrar que estes não aceitam a inspiração divina da Bíblia mas usam-a apenas ao seu bel-prazer) Lançam mão do capítulo 3 de João para dizer que Jesus ensinou sobre a reencarnação. Usam a versão do Padre Antonio Pereira de Figueredo que no versículo 3 traduziu: “…renascer de novo”. Enquanto em nossa versão está escrito: “…nascer de novo”. Ora, o padre tradutor cometeu uma tremenda redundância. E ainda fica claro que Jesus não falou de um novo nascimento carnal, mas sim, da necessidade de um nascimento espiritual. Vejamos: Jo 3.3-8 e Jo 1.12 e 13.

Kardeck no “Evangelho segundo o Espiritismo”, um dos seus livros, afirmou que o “Espiritismo não ensina nada contrário ao ensinamento de Cristo, mas o desenvolve, completa e explica o que foi dito sob forma alegórica”. Partindo desse princípio, o espiritismo julga ser, ele próprio, a “terceira revelação”. Nós temos visto justamente o contrário neste estudo. O espiritismo adultera a Bíblia ao seu bel-prazer e vai contra o que Jesus ensinou. E nesse “espírito adulterador” afirmam que João Batista é a reencarnação de Elias (Ml 4.5 e Mt 17.10-13).

Refutação Bíblica:

Elias não poderia ter reencarnado porque não morreu mas foi arrebatado (II Rs 2.11).

Se João Batista fosse a reencarnação de Elias, aquele que teria aparecido no monte da transfiguração, deveria ser João Batista e não Elias (Mt 17.1-3). Pois de acordo com a doutrina espírita: a última pessoa reencarnada é que deve aparecer.

A Bíblia fala que João Batista teve um ministério parecido com o de Elias (Lc 1.17). Este versículo será completamente esclarecido se comparado com a história de Elias e Eliseu (II Rs 2.9-15).

Os judeus não criam em reencarnação, e sim na ressurreição dos mortos (Lc 9.7-8 e Mc 6.14-16).

João Batista disse claramente que não era Elias (Jo 1.21).

A tese da reencarnação é a principal doutrina do espiritismo (ao mostrarmos que a reencarnação não existe, todo pensamento espírita perde o sentindo de ser). Baseando-se nesta doutrina, muitas outras teses espíritas são formadas. Vejamos algumas:

A existência de outros mundos

Os espíritas crêem que existem outros mundos onde habitam os espíritos em vários estágios de evolução espiritual. Conforme o “aperfeiçoamento”, os espíritos são transferidos para mundos diferentes. Usam João 14.2 como base bíblica. Fica claro que a referência de Jesus a muitas moradas é para dar a idéia da amplitude do céu.

A Bíblia ensina que existem dois destinos finais para os que morrem: Céu e inferno. Enquanto os espíritas dizem que o inferno é aqui mesmo. (Mt 13.38-43, Jo 3.18, Lc 23.43 e Ap 21.8).

Jesus foi um espírito evoluído

O espiritismo nega a divindade de Jesus alegando que este era um espírito em alto grau de desenvolvimento. A Bíblia não deixa dúvida que Jesus é o filho de Deus que se tornou carne para ser o substituto da raça humana cravando os pecados da mesma na cruz (Mt 1.23, Mt 16.15-17, Jo 1. 1 e 14, Jo 10.30, Jo 14.7-11 e I Pe 2.24). Estamos vendo que a tese da reencarnação é a principal doutrina do espiritismo e que outras doutrinas dependem deste para ter algum sentido. Continuaremos a estudar sobre doutrinas espíritas que partem do princípio que a reencarnação existe.

Os anjos são espíritos evoluídos – No livro O Céu e o Inferno, Kardeck afirmou que: “os anjos são almas de homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fluindo em sua plenitude a prometida felicidade.”

Por sua vez a Bíblia, a Palavra de Deus, afirma que anjos são anjos e homens são homens. Ou seja, são duas criações distintas de Deus. Vejamos resumidamente o que a Bíblia fala sobre anjos.

– Os anjos foram criados por Deus (Ex 20.11, Ne 9.6 e Cl 1.16) e já existiam quando o pecado entrou no mundo. Tanto que após a queda de Adão e Eva, foram investidos da missão de guardar o caminho que conduzia à árvore da vida (Gn 3.24).

– Eles são mensageiros e ministros de Deus (Hb 1.14, Sl 91.11 e Sl 34.7). E é bom dizer que a Bíblia não nos autoriza a orar pedindo anjos e condena terminantemente o culto dirigido aos mesmos (Cl 2.18 e Ap 22.8 e 9).

O diabo e os demônios são vistos como espíritos inferiores

Os espíritas não crêem na existência do diabo e dos demônios, esses são vistos como símbolos de todos os espíritos imperfeitos que não alcançaram o desenvolvimento. Alziro Zadur, renomado espírita brasileiro, afirmou que: “Satanás é nosso irmão, por quem devemos orar, uma vez que poderá entrar novamente no círculo de evolução espiritual e tornar-se um espírito perfeito e puro.
Por sua vez, a Bíblia mostra que o diabo e os seus demônios foram anjos que se rebelaram contra Deus. E por isto foram expulsos do céu (Is 14.12-17, Ez 28.13-17 e Jd 6). E que estão condenados para todo sempre aguardando a execução da sentença (Jo 16.11, Lc 10.18, Jo 12.31, Cl 2.14 e 15, II Pe 2.4 e Ap 20.10).
4. Fora da caridade não há salvação

O espiritismo prega que a salvação é adquirida pelo esforço humano. Pregam que através da reencarnação e da prática de caridades o homem conseguirá a salvação. Enquanto as escrituras mostram que a salvação é dom gratuito de Deus que é recebida pela fé. Rm 3.10-12 e 23-28; Ef 2. 8 e 9

PARTE III- SUBDIVISÕES DO ESPIRITISMO

No espiritismo existem várias ramificações mas em sua essência é a mesma. Crêem na possibilidade de comunicação com os mortos, na capacidade do homem de conseguir a salvação por seus méritos e crêem na prática da adivinhação. Ou seja, existem muitos ramos mas esses pertencem a mesma árvore. Para cada gosto há uma roupagem diferente. Vejamos essas ramificações:

Espiritismo comum – Normalmente nessa classificação estão incluídas as práticas dedicadas a adivinhação como: quiromancia (adivinhação pelo exame das linhas das mãos), cartomancia (adivinhação pelas cartas de jogar), grafologia (um ramo desta adivinha através da escrita), hidromancia (adivinhação por meio da água) e astrologia (adivinhação através dos astros).

Baixo espiritismo – É o resultado do sincretismo da religião dos africanos, religião dos índios, religião católica, religião kardecista e práticas do ocultismo. Estão nessa classificação o vodu, candomblé, umbanda, quimbanda e macumba.

Espiritismo científico – É também chamado de “alto espiritismo”, “espiritismo ortodoxo” ou “espiritualismo”. É a prática espírita elitizada e racionalista. Normalmente não se apresenta como uma religião. E muitas vezes se manifestam como uma “sociedade”, como por exemplo a LBV (Legião da boa vontade) fundada pelo já falecido Alziro Zarur, hoje dirigida por Paiva Neto. Estão nessa classificação o teosofismo, o esoterismo e o kardecismo.

PARTE IV – ADVERTÊNCIAS BÍBLICAS

Deus é uma veloz testemunha contra os feiticeiros – Ml 3.5
Trazem consolações vazias – Zc 10.2
É ilusão – At 8. 9 e 10
É fonte de lucro – At 16.16
Não consultar os astros – Is 47.13
É obra da carne – Gl 5.19-21
Não entrarão no céu os feiticeiros e idólatras – Ap 21.8 e 22.15

QUESTIONÁRIO

I- Responda:

a) Qual seria, em sua opinião, o motivo principal que leva uma pessoa a procurar o espiritismo?
b) Qual a principal doutrina espírita?
c) Qual o verdadeiro nome de Alan Kardeck?
d) Dê dois argumentos bíblicos com suas respectivas referências bíblicas que mostram que João Batista não é a reencarnação de Elias?

II- Responda com (V) a alternativa verdadeira e com (F) a falsa.

a) Tudo o que se faz de mal na terra paga-se aqui mesmo. ( )
b) Segundo João 14.2 existem outros mundos onde habitam os espíritos em vários estágios de evolução espiritual. ( )
c) Deus existe, mas está longe demais, e só se manifesta por meio de intermediários ( )
d) Os mortos não podem ajudar os vivos e nem os vivos podem ajudar os mortos. ( )
e) O sacrifício de Jesus na cruz foi completamente suficiente para perdoar os pecados. Portanto não há necessidade da reencarnação. ( )
f) O novo nascimento tem o mesmo significado que a reencarnação. ( )
g) Satanás está condenado aguardando a execução da sentença. ( )

III- Ligue a verdade com os seus versículos bíblicos correspondente:

A primeira sessão espírita – Ef 2.8 e 9
Não devemos consultar os astros – Gl 5. 19-21
A Bíblia condena o culto aos anjos – Is 47.13
A salvação é pela graça – Hb 9.27
O homem morre uma só vez – Gn 3.1
O espiritismo é obra da carne – Cl 2.18

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A Teoria da Reencarnação

Publicado em 5/6/2003

José Moreira da Silva – jmsilv@uol.com.br
JesusSite

Eu tenho um cão e um gato. Eles aprenderam a fazer coco e pipi no local certo. Sabe porque? Porque eu os pego NO ATO e os levo para o local adequado e ao mesmo tempo fico gritando “Não pode!”
Esse método funciona porque o cão ou gato percebe o que está fazendo e associa a desaprovação com o ato que esta praticando. E com o tempo eles aprendem a não fazer suas necessidades em nenhum outro local a não ser o indicado.

Se você vir o cachorro fazendo suas necessidades em um local proibido, esperar uma hora e depois xingá-lo, NÃO FUNCIONA. Ele não vai APRENDER nada. Porque? PORQUE ELE NÃO SABE PORQUE ESTÁ SENDO PUNIDO. Sendo assim, é pura perda de tempo e ATÉ CRUELDADE, puni-lo.

O mesmo acontece com uma criança. Se uma criança não sabe porque está sendo punida, porque não lembra do que fez, a punição é cruel e injusta. Portanto até com as crianças convém punir em tempo hábil.

Vamos à reencarnação. Nela, eu estaria na mesma condição do cão. Estaria sendo punido por um crime que não sei que cometi. Se eu não lembro de nada, a punição sempre será INJUSTA para mim.

Vou dar-lhe um outro exemplo prático.
Suponhamos que você esteja aprendendo a dirigir. Eu te ensino tudo que você tem que fazer. Passamos uma tarde inteira treinando. No dia seguinte, VOCÊ ESQUECE TUDO QUE EU LHE ENSINEI. Tenho que começar tudo de novo. E assim por diante. É óbvio que você nunca vai EVOLUIR dessa forma. Você nunca vai aprender nada, porque a aprendizagem é um processo CUMULATIVO. É como a adição. Todo dia você vai acrescentando um número até chegar a um total. Esse total seria O QUE VOCÊ APRENDEU. Sem memória não há aprendizagem.

Outro detalhe, a memória é mais importante do que você imagina. A memória é aquilo que você é.
Quando você é uma criança você vai absorver aquilo que dizem a seu respeito. Dizem que você é brasileiro, que teu nome é José, que tua mãe é fulana e assim por diante. Você é o resultado de tudo que dizem que você é e mais as experiências que você teve. Ou seja, o que acham de você e o que você acha de si própria. Dependendo da sociedade que você nascer, você será totalmente diferente. Se você tivesse nascido nos EUA, hoje você seria outra pessoa. Se tivesse nascido na Etiópia, também. Tendências naturais fora e além de seu controle equivalem a pelo menos 90% do que você é. E isso é um fato cientifico.

Mas a sua personalidade não poderia se desenvolver dentro de nenhum sistema cultural sem MEMÓRIA. Imagine se você ensina a seu filho quem ele é, sobre sua família, suas raízes, sua cultura e assim por diante e ele esquece tudo no dia seguinte? Não haveria evolução alguma. Como somos aquilo que lembramos que somos, a teoria da reencarnação cai por terra ai.

O karma também é um conceito difícil de engolir. O karma é como se fosse o próprio Deus. Ele fica anotando tudo que você faz, momento a momento, e depois MANIPULA AS CIRCUNSTÂNCIAS para você sofrer pelo que fez ou conseguir benções. Esse tipo de sistema não é compatível com o livre arbítrio. Ou seja, para o karma fazer você pagar ou ser recompensando, ele teria que manipular pessoas e circunstâncias para esse fim. Sendo assim, as pessoas não seriam livres. Ou pelo menos a grande maioria de suas ações não seriam geradas por si próprias, pois elas teriam que cumprir a vontade do Karma. E assim o Karma estaria usando uma pessoa para punir outra. Digamos que usa alguém para lhe dar uma surra porque você deu uma surra em outra pessoa em outra vida.

Essa pessoa que está te dando uma surra hoje para puni-la vai ser punida também? Se você está sendo estuprada, você está pagando pelo que fez antes, então o estuprador está apenas cumprindo a vontade de Deus fazendo você pagar. Ou estaria ele iniciando a ação e gerando karma? E se é o caso, então você não pode explicar todos os seus sofrimentos baseando-se em vidas passadas. Muito do seu sofrimento seria sem causa mesmo. Está vendo? O tipo de controle que o karma teria que ter sobre todas as pessoas seria algo incompreensível. É muito mais fácil imaginar que as pessoas fazem o que querem e sofrem ou não conseqüências de seus atos dependendo das circunstâncias e não de uma força invisível controlando às mesmas. É mais simples e prático e lógico. O livre arbítrio exige o acaso. Somente num sistema imprevisível como é o nosso a liberdade poderia existir. Liberdade de decidir o que é certo e errado. Se existir uma força controlando tudo, ninguém é livre e punições e recompensas se tornam INJUSTIÇAS.

O arrependimento só é possível com a MEMÓRIA. Se eu não lembro que fiz algo ruim, então como vou me arrepender? No campo individual a teoria da reencarnação é totalmente inútil. Se você aceitar a teoria da reencarnação, tudo de ruim que acontece com você, você pensa que é punição por faltas passadas e ai agüenta calado. Aceita numa boa. Consola-se pensando que é um criminoso. E que tudo que lhe acontece é merecido. É por isso que sociedades que aceitam essa teoria não trouxeram evolução social. Quem nasce pobre se conforma com a pobreza pensando que na PRÓXIMA VIDA vai nascer melhor já que foi bom nessa. E o que é ser bom? Agüentar tudo calado e aceitar sua condição social é bondade? A história mostrou que não. A Europa só evoluiu e arrastou o resto do mundo quando PESSOAS EM CONDIÇOES SOCIAIS INFERIORES SE REVOLTARAM. Se acreditassem na reencarnação nunca fariam isso. IAM AGÜENTAR AS COISAS CALADOS ESPERANDO A PRÓXIMA VIDA. Essa crença leva ao conformismo. Já que todos são criminosos, aceitam todo sofrimento numa boa sem reclamar. Se o ser humano aceitasse o sofrimento, o mundo não teria evoluído. Qualquer teoria que leve a aceitação do sofrimento é nociva à sociedade. O sofrimento tem que ser reduzido ou eliminado o máximo possível. Qualquer tipo de sofrimento é injusto. Se isolamos alguém na cadeia é para REDUZIR o sofrimento da sociedade como um todo, e não para AUMENTA-LO. É melhor um sofrendo que vários.

O ser humano primitivo, quando queria algo, simplesmente ia e tomava. Depois passou a viver em sociedade. E aí a natureza selecionou um sistema para garantir a sobrevivência. Quando digo que ela selecionou, não estou dizendo que ela fez isso de propósito. O que aconteceu foi o seguinte: milhares de animais morreram porque não tinham um sistema que funcionasse. Quando um sistema que funcionou surgiu, ELE PERMANECEU.

Esse sistema desenvolvido pelos animais sociais é o sistema hierárquico. Ou seja, todo grupo de animais tem um chefe. Isso funciona, porque sem um chefe (o chefe é o mais poderoso da turma), os animais lutam o tempo todo entre si. O chefe apareceu para manter a paz e garantir a partilha dos recursos. Antes da existência do líder, a vida social era uma luta constante.

O que tem isso a ver com a reencarnação?

O sistema hierárquico entre os animais sociais funciona. Se você examina-lo comparando com vários grupos de animais sociais verá que ele é um fator positivo e explica muitos fatos.

A reencarnação não explica as coisas a contento.

A vida social é injusta porque as pessoas nascem diferentes. Uns nascem inteligentes, fortes e bonitos. Enquanto outros nascem feios, burros e fracos. Ou então uns nascem com algumas dessas qualidades e sem as outras. O fato é que sempre existe um membro da sociedade superior ao outro de algum modo. Essa superioridade é individual e não racial. Tanto que existem burros e inteligentes em todas as raças. Assim como existem feios e bonitos em todas e assim por diante. Você acha que se a Sandy tivesse nascido na Etiópia, ela teria se tornado o sucesso que é? Tudo que você é, é resultado de muitos fatores. Agora dizer que a Sandy nasceu assim porque ela foi melhor que alguém que nasceu na Etiópia na outra reencarnação é puro elitismo. Você está dizendo que a Sandy é melhor que uma criança da Etiópia não só por causa das circunstâncias em que nasceu como também moralmente. Você está dizendo que ela é rica, bonita, canta bem porque é MORALMENTE SUPERIOR A QUEM NASCEU na Etiópia. Você está dizendo que uma pessoa saudável, rica e bela é MORALMENTE SUPERIOR A UMA PESSOA ALEIJADA, FEIA E POBRE. Por isso a idéia da reencarnação é o pensamento mais elitista e arrogante que conheço para explicar fatos naturais. Daí que quem crê na reencarnação não é melhor que quem crê em CÉU E INFERNO. O resultado é o mesmo. Os paises evoluídos são os céus e os paises pobres são os infernos. Qual a diferença? Nenhuma, a meu ver.

A teoria da reencarnação surgiu para explicar a injustiça DO NASCIMENTO. Uma pessoa há muito tempo atrás perguntou: porque uns nascem superiores e outros inferiores? Estou falando aqui de indivíduos e não de raças. Isso é uma injustiça!!!! Daí ele desenvolveu a teoria da reencarnação para explicar a justiça e injustiça do mundo. Só que ela não funciona por causa dos fatores citados acima. Ao invés de trazer justiça ao sistema, ela trás mais injustiças ainda.

Porque um ser humano sente pena do outro? Por causa de uma coisa chamada empatia. E não por causa da reencarnação. Você sente porque você se põe no lugar do próximo e sente o que ele sente. A empatia depende muito da sensibilidade de cada um. Tem gente que nunca consegue se por no lugar do próximo. E aí eles se mostram muito insensíveis. A reencarnação procura mostrar que os insensíveis ainda terão que nascer muito para desenvolver a sensibilidade. Mas o fato é que é a sociedade de cada um que determina esse grau de sensibilidade e não o indivíduo mesmo. Quanto mais avançada uma civilização maior à capacidade de se por no lugar do outro. Exemplos, quanto mais avançada é a cultura de um indivíduo mais sensível ele é. Europeus se preocupam com os direitos dos animais porque suas necessidades básicas foram preenchidas. Crianças da Etiópia sofrem tanto que não conseguem pensar em ninguém a não ser elas mesmas. Se a reencarnação fosse um fato, ninguém nasceria em condições que promovessem a insensibilidade e a violência e sociedades menos evoluídas desenvolvem mais esses fatores. De novo a reencarnação se mostra elitista. Ela está dizendo de fato que quem é SENSÍVEL é mais EVOLUIDO MORALMENTE que quem não é. Esquecendo de todos os fatores sociais e naturais que levam uma pessoa a ser assim.

O que você é, é determinado pelo seu corpo, sua família, sua sociedade. Tantos fatores que o próprio Buda, que apoiava a teoria da reencarnação porque nasceu na Índia, questionou a mesma e, no final, disse que não temos um ego de fato. Que o que somos é uma relação de vários fatores e que se você analisar tudo no final, chegará a conclusão que a alma não passa de fantasia.

Outro detalhe. A população aumentou bastante nos últimos 500 anos. De onde estão vindo todos esses espíritos? Muita gente faz terapia de vidas passadas, mas matematicamente a GRANDE MAIORIA ESTARIA AQUI PELA PRIMEIRA VEZ. E NUNCA falam para ninguém que essa é sua primeira vez. Para qualquer um que procurar fazer essa TERAPIA será dito que já passou por aqui antes. A LEI DA ESTATÍSTICA DIZ O CONTRÁRIO.

A reencarnação também é uma teoria oposta a Deus e a Cristo. Qual a necessidade para Deus num sistema de causa e efeito como a reencarnação? Toda a ação gera uma reação e todo o processo é automático. Para que serviria Deus? Por isso o budismo é um sistema essencialmente ateu. Alguns outros sistemas querem juntar reencarnação e a idéia de Deus, mas não conseguem.

E também se você evolui de vida em vida nascendo em condições cada vez melhores, qual a necessidade para um salvador? No sistema reencarnacionista, um salvador é inútil.
Só que no sistema reencarnacionista as idéias de inferno e céu e medo permanecem. E até bem mais reais. O inferno é um país como o Afeganistão e o paraíso é um país Europeu ou os Estados Unidos.
Você se torna bom para nascer nos EUA e evita o mal para não nascer na Etiópia. É a idéia do medo que predomina do mesmo modo.

Autor: José Moreira da Silva é formado em Filosofia pela Universidade de Nova Iorque e atualmente é professor de ingles, tradutor e interprete, e dedica-se ao estudo da natureza humana através da psicologia, filosofia e religião.

Para falar com o autor: jmsilv@uol.com.br

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Regressão a Vidas Passadas

Publicado em 6/24/2004

Jorge A. B. Soares
http://www.cacp.org.br

A regressão a vidas passadas tem como pressuposto a crença na reencarnação, pedra angular de religiões orientais, tais como o Hinduísmo, Budismo e Jainismo.

Em várias regiões e culturas a natureza da crença na reencarnação diverge em muitos aspectos. Afinal, a alma entra num outro corpo logo após a morte, ou há um intervalo entre encarnações? A pessoa sempre reencarna como humano? Ou pode progredir a sobrehumano, ou regredir a animal? Quantas vezes, em média, a pessoa reencarna até se libertar do ciclo de reencarnações: umas poucas, algumas centenas ou 840.000 como acreditam os indianos? Há muitas controvérsias …

A técnica de regressão a vidas passadas foi descoberta em 1893 por Albert de Rochas quando fazia experimentos com magnetismo e hipnose, em Paris. Seu livro “Les Vies Successives” publicado em 1911 é o primeiro sobre o assunto.

Em 1952 Morey Bernstein hipnotizou Virginia Tighe e ela começou a falar com sotaque irlandês afirmando chamar-se Bridey Murphy, uma mulher do século 19 de Cork, Irlanda. Nas muitas sessões de regressão hipnótica que se seguiram Bridey cantava canções e contava histórias típicas irlandesas. O livro de Bernstein “The Search for Bridey Murphy” virou um best-seller mundial traduzido em dezenas de línguas. Também foram comercializadas em larga escala as gravações das sessões de regressão hipnótica.

Alguns jornais enviaram repórteres à Irlanda para investigar. Teria existido uma ruiva chamada Bridey Murphy na Irlanda do século 19? Nada de concreto se encontrou, porém a equipe do jornal “Chicago American” achou uma tal Bridie Murphey Corkell que viveu em pleno século 20 numa casa do outro lado da rua, em frente à residência onde Viginia Tighe passou sua infância. Os fatos relatados por Virginia sob transe hipnótico não eram memórias de uma vida anterior mas sim memórias da sua tenra infância.

Confabulação e criptamnésia são os nomes científicos desses processos ocultos da mente. Na confabulação um fato é substituído inconscientemente por uma fantasia. Uma confabulação pode se basear parcialmente em fatos ou pode ser uma construção completa da imaginação. Criptamnésia é o termo usado para explicar a origem das experiências que as pessoas acreditam ser originais mas que na realidade se baseiam em memórias de eventos já esquecidos.

Tudo leva a crer que a maioria das regressões a vidas passadas são confabulações alimentadas pela criptamnésia. Como vimos anteriormente, as lembranças de Virginia Tighe obtidas pela hipnose relativas a Bridey Murphy de Cork, Irlanda (Bridie Murphey Corkell), se não deliberadamente fraudulentas são lembranças de eventos que lhe aconteceram na sua infância e que ela já havia esquecido.

O lado mundano da regressão a vidas passadas tem se revelado um ótimo negócio para ganhar dinheiro na venda de livros (Shirley MacLaine, Dr. Brian Weiss) e conduzir consultórios de TVP (Terapia de Vida Passada). Para desbloquear traumas adquiridos ao longo de várias vidas passadas há que se fazer um bom número de sessões de terapia, o que é financeiramente vantajoso para o psicólogo que as conduz.

Infelizmente o lado científico da questão é francamente desanimador. Não existe uma única investigação científica que tenha validado, sem deixar margem de dúvida, relatos de regressão a vidas passadas. Os melhores trabalhos nesta área são de Ian Stevenson, um parapsicólogo sério e bem conceituado, que investigou extensivamente casos de crianças asiáticas que pareciam recordar muitos detalhes de sua última encarnação. Porém mesmo esses estudos de Stevenson ao passarem por análise minuciosa revelam sérias inconsistências internas que os colocam em dúvida.

Para encerrar a questão, e parodiando a célebre frase de Winston Churchill, poderia dizer-se que, no caso da regressão a vidas passadas, “nunca tantos acreditaram em tanto bagulho criado por tão poucos!…”

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FACÇÕES ESPÍRITAS

Publicado em 10/8/2004

Jamierson Oliveira
Revista Defesa da Fé

Unidade é a palavra de ordem de quase todos os movimentos, sejam políticos, sociais ou religiosos. Um exemplo desse esforço gigantesco por união é o cenário político brasileiro atual. Quem sempre foi oposição, agora é situação, e vice-versa, gerando conflitos internos e divergências jamais esperados, inclusive quanto às “doutrinas” básicas e ideológicas que nortearam tais partidos ao longo das décadas.

O Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, trava a maior luta interna da sua história, tendo de expulsar antigos correligionários que, agora, ameaçam organizar-se em novas legendas “fiéis” aos antigos paradigmas. Pelo menos crêem assim.

Da mesma forma, os fundadores ou lideres de seitas preocuparam-se ao máximo para conseguir manter seus seguidores unidos. Alguns conseguiram, por certo tempo, esse feito; outros, ainda em vida, viram suas idéias esfaceladas. Mas, na verdade, ninguém conseguiu pleno êxito nesse quesito. Não obstante, evocar esse atributo como pretexto de “religião verdadeira” é uma arma amplamente utilizada pelos adeptos de seitas, principalmente contra o cristianismo, acusando-o de ser a religião mais fragmentada da história, de ter divergências doutrinárias, enfim, de ser uma falsa religião.

Todavia, o tempo tem sido o melhor apologista em favor da verdade. Tais seitas, ao que parece, não conhecem nem mesmo sua própria história e situação atual, encobrem suas facções e, com o dedo em riste, insistem em sua acusação. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, publicaram em sua revista oficial: “… os genuínos cristãos são agora ajuntados em toda a terra numa fraternidade unida. Quem são eles? São os da congregação cristã das Testemunhas de Jeová…”1 Mas o que podemos conhecer pela história é algo totalmente diferente. Encontraremos uma seita dividida e com profundos problemas de identidade e de inaceitáveis contradições doutrinárias.2

Essa agressiva estratégia também é utilizada por muitas outras seitas, e o espiritismo não é diferente. Em sua obra O livro dos espíritos, Allan Kardec, em suas palavras finais, reproduz as palavras dos espíritos referindo-se ao espiritismo: “… Nuvem alguma obscurece a luz verdadeiramente pura; o diamante sem jaça é o que tem mais valor: Se é certo que, entre os adeptos do espiritismo, se contam os que divergem de opinião sobre alguns pontos da teoria, menos certo não é que todos estão de acordo quanto aos pontos fundamentais. Há, portanto, unidade…” E mais. Afirma que, segundo as palavras que ouviu do espírito de Agostinho3: “espiritismo é o laço que um dia os unirá, porque lhes mostrará onde está a verdade, onde o erro…”.

Mas bem diferente do que afirma Kardec, e do que gostariam os espíritas, o espiritismo é, na verdade, uma grande colcha de retalhos. Ou melhor, nas palavras do estudioso espírita Mauro Quintella: “Como toda corporação, o movimento espírita brasileiro não é uma rocha monolítica, do ponto de vista filosófico”.4

Hoje, é fato conhecido por todos os estudiosos de religiões que no espiritismo não existe a tal sonhada unidade predita por Kardec. Os espíritas latinos são os mais fracionados e alguns grupos, como os ingleses, por exemplo5, chegam a negar doutrinas consideradas fundamentais por Allan Kardec, como, por exemplo, a reencarnação.

A seguir, os diferentes grupos espíritas e seus ensinos contraditórios.

Escolas espíritas

1. Ortodoxos – É o kardecismo considerado tradicional, que não permite interpretações do “Pentateuco”6 de Allan Kardec diferente de como julgam ser o correto. Não tolera a presença de outros espiritismos, considera-os grupos espiritualistas, apenas.

2. Roustainguistas – São orientados pelos escritos de João Batista Roustaing, um advogado contemporâneo de Kardec. Diferentemente dos demais, ensinam que o corpo de Jesus não era real, apenas aparente. Existe forte oposição entre ambos os grupos, inclusive na literatura há obras aceitas e rejeitadas.

3. Científicos – Também chamados de Laicos. No século 19, foram liderados pelo professor Angeli Torteroli. Formavam uma frente de oposição aos chamados Místicos. Entre outras coisas, procuravam desassociar o espiritismo do cristianismo.

4. Místicos – Liderados por Bezerra de Menezes, um dos primeiros presidentes da FEB – Federação Espírita Brasileira – e considerado por muitos o Kardec brasileiro, supervalorizam o lado religioso da Doutrina Espírita. Consideram-se os cristãos verdadeiros.

5. Ubaldistas – Grupo influenciado pelos livros do famoso médium italiano Pietro Ubaldi. Chamado de “reencarnação de São Pedro”, Ubaldi morou vários anos no Brasil. Apesar de reencarnacionista, era panteísta, e propôs nas suas obras uma evolução cósmica do kardecismo.

6. Armondistas – Grupo liderado por Edgar Armond, fundador da Aliança Espírita Evangélica. Armond também é um importante colaborador para o desenvolvimento do espiritismo no Brasil. Por ter sido esotérico, é acusado pelos ortodoxos de orientalizar Kardec.

7. Emmanuelistas – Grupo conduzido pelos ensinamentos de Emmanuel, o espírito guia de Chico Xavier. Entre outras contradições com o kardecismo tradicional, crêem na existência de animais no plano de vida espiritual.

8. Ramatisistas – A escola ramanista segue os ensinamentos do espírito guia Ramatis, por meio do médium Hercílio Maes. Pregam que Jesus é, na verdade, um anjo que serve de médium ao Cristo Planetário. São vegetarianos e também esotéricos.

9. Paganizantes – Sob a liderança de Carlos Imbassahy, rejeitam a expressão “espiritismo cristão” e negam qualquer fundamentação bíblica do espiritismo. É de Imbassahy a seguinte afirmação: “Nem a Bíblia prova coisa nenhuma nem temos a Bíblia como probante […] O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as demais seitas cristãs. Mas a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo”.

10. Dialéticos – É a escola espírita dialética, cujo mestre latino foi o argentino Manuel S. Porteiro. Entre outras particularidades, a doutrina porteriana busca provar a evolução biológica e espiritual até o homem.

11. Transcomunicadores – Grupo que forma a ANT – Associação Nacional de Transcomunicadores, ou, como se auto-intitulam, “comunicastes”. Diferentes da prática mediúnica, esses neo-espíritas buscam a comunicação com os mortos por meio de equipamentos eletrônicos.

12. Espiritualistas – São os espíritas que crêem não existir no homem apenas matéria, o que absolutamente não implica na necessidade de crerem nas manifestações dos espíritos. Há grande confusão no uso desse adjetivo entre os espíritas.

13. Outras correntes e tendências – conforme os “líderes” ou “espíritos guias” (como, por exemplo, Yokanam, tia Neiva, André Luiz, entre outros), várias peculiaridades doutrinárias vão-se formando, criando uma identidade própria. Por isso existem infinidades de “denominações” espíritas no mundo.

Movimento de reforma

1. Grupo Espírita Bezerra de Menezes – Criado em 1992, tem como objetivo, declarado no site que disponibiliza na internet: http://www.novavoz.org.br, uma ferrenha manifestação contra as FEB’s e todos os demais grupos espíritas anteriormente mencionados: acusando-os de sincretismo, brigas internas, disputas doutrinárias, etc. O objetivo das instituições espíritas associadas é a formação da União Espírita Reformista em oposição à FEB – Federação Espírita Brasileiro: O objetivo é deixar o movimento espírita e formar uma nova seita denominada Renovação Cristã.

Grupos neo-espíritas

2. Umbandistas7 – É o espiritismo à moda brasileira. Origem: mistura de crenças espiritualistas dos escravos bantos (África), dos indígenas brasileiros e do catolicismo romano. Tudo isso encontrou no Brasil um terreno já fertilizado pelo espiritismo kardecista. Os umbandistas também fazem uso da mediunidade, crêem na reencarnação, praticam a caridade, e outras similaridades.

3. Legionários (A Legião da Boa Vontade) – O nome completo do fundador é Alziro Elias Davi Abraão Zarur, considerado por eles a reencarnação de Allan Kardec. Para a LB V, Allan Kardec não concluiu sua obra e, por isso, Alziro Zarur veio completá-la.

4. Racionalistas (Racionalismo Cristão) – Seita espírita fundada em 1910 pelo português Luiz de Matos, inimigo do kardecismo. Acusam o espiritismo de ter-se tornado mais uma seita cristã entre tantas, e propõem um espiritismo regido apenas pelas leis naturais.

5. Outros grupos espíritas esotéricos e/ou sincretistas8 – Ordem Rosa-cruz, Cabala, Teosofia, Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, A Esfera, Ordem dos Iluminados, Ordem Esotérica do Mentalismo, Gnosticismo, Logosofia, Cultura Racional Superior, Quimbanda, Candomblé, Xangô, Babaçuê, Pajelança, Catimbó, etc.

Dessa forma, fica demonstrado inequivocamente que pelo menos por essa argumentação os espíritas não podem se defender. Ou melhor dizendo, não podem afirmar que são a verdadeira religião devido à sua unidade. Como vimos, entre os espíritas, não há unidade de grupos nem de doutrinas, assim como não há nas demais seitas e religiões não-cristãs.

DESAFIO EVANGELÍSTICO

Este ano se comemora o bicentenário do nascimento de Allan Kardec. E, passados esses dois séculos, tem-se percebido que, em muitos países europeus, o espiritismo tem diminuído de forma significativa. Na França, por exemplo, quase não existem mais. Inclusive, em 1985, foi fundada a União Espírita Francesa, justamente para reimplantar o espiritismo naquele país e em outros de língua francesa.

Embora o espiritismo tenha fracassado na França, no Brasil, porém, essa doutrina encontrou condições ideais para seu crescimento. Segundo consta, somos a maior nação espírita do mundo. Pesquisa realizada pelo Vox Populi constatou que 59% da população brasileira acredita que já teve outras vidas. Mas isso é um tremendo contrasenso, porque somente 3% dos brasileiros se declararam espíritas. O que significa que pelo menos um dos princípios espíritas, a reencarnação, encontrou um ambiente propício para seu desenvolvimento em nosso país.

Oremos pelos espíritas! (1Tm 4.12).

NOTAS

1 A Sentinela, 01 de julho de 1994
2 Em Defesa da Fé edição de agosto de 2003, publicamos uma extensa reportagem sobre essas facções russelitas.
3 Maior teólogo cristão depois do apóstolo Paulo. Era natural de Numíbia, África. (Séc. III)
4 Extraído do artigo “O Problema dos Adjetivos: Quando Jamais Usar” publicado originalmente no jornal Correio Fraterno do ABC 1994.
5 No V Congresso Internacional de Barcelona (1934), depois de grandes discussões, ficou estabelecido que: “os espíritas latinos e hindus representados pelos delegados da Bélgica, Brasil, Cuba, Espanha, França, Índia, México, Portugal, Porto Rico, Argentina, Colômbia, Suíça e Venezuela, afirmam a reencarnação como lei de vida progressiva, segundo a frase de Allan Kardec: ‘Nascer, morrer, renascer e progredir sempre’ e aceitam como uma verdade de facto. Os espíritas não latinos, representados no Congresso pelos delegados da Inglaterra, Irlanda, Holanda e África do Sul, consideram não haver demonstração suficiente para estabelecer a doutrina da reencarnação formulada por Kardec. Cada escola portanto, fica em liberdade para proclamar as suas convicções a respeito de reencarnação”.
6 Alusão aos cinco livros básicos de Allan Kardec: Livro dos Espíritos; Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno e A Gênese.
7 Muitos espíritas kardecistas não consideram esses grupos como espíritas. No entanto, a FEB Federação Espírita Brasileira, que é kardecista, em nota oficial no “Reformador” (órgão oficial da entidade), de julho de 1953, pág. 149 declarou: “Baseados em Kardec, é-nos lícito dizer: todo aquele que crê nas manifestações dos Espíritos é espírita; ora, o umbandista nelas crê, logo, o umbandista é espírita”.
8 Muitos desses grupos são historicamente mais antigos que o kardecismo, mesmo assim, já sustentavam doutrinas hoje espíritas. Outros, mais recentes, foram fortemente influenciados pelos pensamentos de Allan Kardec, inclusive, alguns foram grupos espíritas na sua origem, mas, com o tempo tornaram-se autônomos e distintos apresentando similaridades e diferenças em seu corpo doutrinário.

APOLOGÉTICA ESPIRITISMO-SEITAS

  Apologética       Espiritismo

Dificuldades do Espiritismo Kardecista

Publicado em 12/28/2000

Pr Airton Evangelista da Costa
Assembléia de Deus Palavra da Verdade

Satanás e os demônios

Hyppolyte Léon Denizart Rivail, que usou em seus livros o nome de Allan Kardec, descartou a possibilidade da existência do diabo e dos demônios. Vejam:

(a) “A palavra daimon, da qual fizeram o termo demônio, não era, na antigüidade, tomada à má parte, como nos tempos modernos. Não designava exclusivamente seres malfazejos, mas todos os Espíritos superiores, chamados deuses, e os menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que comunicavam diretamente com os homens. Também o Espiritismo diz que os Espíritos povoam o espaço; que Deus só se comunica com os homens por intermédio dos Espíritos puros, que são incumbidos de lhe transmitirem as vontades; que os Espíritos se comunicam com eles durante a vigília e durante o sono. Ponde, em lugar da palavra demônio, a palavra Espírito e tereis a doutrina espírita; ponde a palavra anjo e tereis a doutrina cristã” (Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, item, VI).

(b) “O Espiritismo demonstra que esses demônios mais não são do que as almas dos homens perversos, que ainda se não despojaram dos instintos materiais…” (E.S.E., cap. XII, item 6).

Enquanto no Cristianismo o diabo e seus demônios são anjos decaídos, os maiores inimigos de Deus e dos homens, no Kardecismo são considerados espíritos desencarnados que ainda não evoluíram. Segundo o próprio Kardec, Jesus foi a Segunda Revelação de Deus, e veio com a missão divina de ensinar aos homens a mais pura moral, a moral evangélico-cristã. Por essa razão, Jesus se apresenta para os kardecistas como um insuspeito, um homem que somente falou a verdade, que não responde por dolo ou má fé.

As Palavras de Jesus

1) “E disse o diabo a Jesus: Tudo isto [os reinos do mundo] te darei se, prostrado, me adorares. Então disse-lhe Jesus: “Vai-te, Satanás. Pois está escrito: ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4.8-10). Comentário: Jesus, na qualidade de um Espírito Puro, um Médium de primeira grandeza, segundo a tese kardecista, teria condições plenas de reconhecer ali, não um adversário em potencial, mas um pobre espírito humano necessitado de reencarnação. Esse “espírito perverso”, ao qual Jesus se dirigiu com palavras de ordem, alcançaria a perfeição e seria igual a Jesus em pureza, mediante muitas vidas corpóreas, segundo a doutrina de Denizart Rivail. Ora, conhecendo o drama de seu “irmão”, Jesus, o “médium” por excelência, certamente vidente e incorporante, chamaria aquele espírito pelo nome da sua última encarnação. Diria mais ou menos assim:

“Oh meu caro Joaquim, não faças mais isto, ouviu! Na qualidade de Bom Espírito eu te aconselho a escolher reencarnar rapidamente e escolher uma prova bem difícil, a fim de você expungir suas culpas. Eu também já passei por essas dificuldades. Agora vá em paz, medite sobre sua vida, e largue essa mania de desejar ser adorado. Tchau, tchau, lembranças aos seus colegas”.

Observem que o diabo daria a Jesus “os reinos deste mundo” (Mt 4.8-9). Algum espírito desencarnado teria sob seu domínio o sistema mundial? É evidente que tal domínio se aplica realmente ao império do mal sobre o qual reina o diabo, o deus deste século (2 Co 4.4)

As hipotéticas palavras de Jesus, como acima, estariam de acordo com a doutrina kardecista. Vejam a questão 116 do Livro dos Espíritos: “Há Espíritos que fiquem perpetuamente nas camadas inferiores”? Resposta: “Não: todos eles tornar-se-ão perfeitos; mudam de classe, embora devagar”. E mais: os espíritos maus só assumem nova vida corpórea se quiserem. Veja a questão 117: “Depende dos Espíritos apressar a sua marcha para a perfeição? Resposta: “Certamente. Chegam mais ou menos rapidamente , conforme SEU DESEJO e sua submissão à vontade de Deus…”

2) “Vós pertenceis ao vosso pai, o diabo, e quereis executar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). Comentário: Aqui Jesus, a “Segunda Revelação de Deus”, conceitua o diabo. Como em outras passagens, Jesus o identifica, nomeia, aponta, distingue, intitula, indica, mostra, esclarece, particulariza, define. E mais: diz que ele foi “homicida desde o princípio”. Ora, segundo a tese kardecista da preexistência, as almas são criadas por Deus em estado simples e sem conhecimento, porém sem maldade. Vejam a questão 115 do Livro dos Espíritos de Kardec: “Entre os Espíritos uns foram criados bons e outros maus”? Resposta: “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem ciência”. Logo, se o “diabo” a que Jesus se referiu fosse um desencarnado ou uma alma em seu estado natural, como poderia ser homicida e mentiroso desde o princípio?

3) “Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41). Comentário: Aqui mais uma vez “A Segunda Revelação de Deus” particulariza, nomeia e identifica o diabo dentre os demais seres espirituais. Ao anunciar que o destino do diabo e dos demônios é o inferno, Jesus não está se referindo a espíritos humanos, que também terão o mesmo destino se não andarem nos caminhos do Senhor. Ora, se Jesus fosse apenas um “Espírito Puro”, conhecedor da pluralidade das existências, a conversa seria mais ou menos assim: “Olha, meus filhos, porque vocês fizeram coisas erradas na terra retornarão a ela inúmeras vezes. Mas vocês têm liberdade de escolher se desejam ficar muito tempo errantes, ou se querem reencarnar o mais rápido possível para se despojarem de suas imperfeições”. Ademais, para os “espíritos” de Kardec não existe esse lugar preparado “para o diabo e seus anjos”, como assegurou Jesus.

Além disso e apesar disso, Kardec declarou com todas as letras que “Cristianismo e Espiritismo ensinam a mesma coisa” (E.S.E. Introdução, VII); que “verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa” (E.S.E., cap. XV, item 10).; que “o Espiritismo nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo…” (E.S.E., cap.I, item 7). Podemos acreditar que o Espiritismo é a expressão da verdade? Podemos acreditar que exista um Espiritismo Cristão?

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Pr Airton Evangelista da Costa, Assembléia de Deus Palavra da Verdade, em Aquiraz (CE)

APOLOGÉTICA ESPIRITISMO-SEITAS

    Apologética       Espiritismo

Merece crédito o ”Evangelho segundo o Espiritismo Kardecista”?

Publicado em 1/27/2002
CPR – Centro de Pesquisas Religiosas, http://www.virtualand.net/cpr/espirita.htm

As Escrituras de Deus condenam o espiritismo, espiritualismo, bruxaria, kardecismo, mesa branca, umbanda, candomblé, macumba, xangô, quimbanda, vodu, bruxaria, magia, reencarnação, mediunidade, toda comunicação ou tipo de contato e relacionamento com mortos e entidades espirituais.

Um Pequeno histórico
O Conceito de Deus no Espiritismo
Cristo no Espiritismo
Plano de Salvação do Espiritismo
A Bíblia no Espiritismo
Conclusão
Um Pequeno histórico

O Espiritismo remonta aos tempos mais antigos da Humanidade. Dele tomamos conhecimento através dos escritos da Bíblia, como advertência dos profetas de Deus para que não nos envolvamos com esta prática, pois ela esta em confronto com a Palavra de Deus. Os povos que adoravam a deuses estranhos e que não seguiam aos ensinos dados por Deus, eram usuários deste costume. Foi para que os adoradores do Verdadeiro Deus não se envolvessem com eles que Moisés falou:

“Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações.”

“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;”

“Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos;”

“Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti.” (Dt 18:9 a 12)

O espiritismo é uma das heresias que mais cresce no mundo de hoje e está enraizada em quase todas as religiões, principalmente naquelas relacionadas com a Nova Era. O espiritismo é o mais antigo engano religioso que já surgiu. Porém, em sua versão moderna, começou no século XIX, ou pouco antes. Houve um avivamento, um recrudescimento ou um ressurgimento, com um fato que aconteceu com certa família, na América do Norte, em Hydesville (Nova Iorque), em 1848.

Esta família se chamava Fox. O casal tinha duas filhas, Margarida (Margaret), de 14 anos, e Catarina (Kate), de onze, que foram protagonista de uma fatos que deram origem ao atual espiritismo.

Em meados de março de 1848, começaram a ouvir-se golpes nas portas e objetos que se moviam de um lugar para outro, sem auxílio de mãos, assustando as crianças. Às vezes, a vibração era tamanha que sacudia as camas. Finalmente, na noite de 21 de março de 1848, a jovem Kate desafiou o poder invisível e repetiu o barulho como um estalar de dedos. O desafio foi aceito e cada estalar de dedos era repetido, o que surpreendeu toda a família. Dessa forma se estabeleceu contato com o mundo invisível, e a notícia alastrou-se por outras partes, admitindo-se que tais espíritos eram dos mortos.

Partindo desse acontecimento, que recebeu ampla cobertura dos meios de comunicação da época, propagou-se o espiritismo por toda a América do Norte e na Inglaterra. Na época, outros países da Europa também foram visitados, com sucesso, pelos espíritas norte-americanos. As irmãs Fox passaram à História como as fundadoras do Espiritismo moderno.

Na França, o figura máxima que deu força ao espiritismo é conhecida pelo nome de Allan Kardec. Chamava-se Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em Lyon, em 3 de outubro de 1804. Era formado em letras e ciências, doutorando-se em medicina. Estudou com Pestalozzi, de quem se tornou fiel discípulo e cujo sistema educacional ajudou a propagar.

Rivail tomou conhecimento de um algo extraordinário que acontecia no momento, e que causava um grande alvoroço na sociedade francesa: o fenômeno das mesas girantes e falantes, que afirmavam ser, um resultado da intervenção dos espíritos. A princípio ele não acreditou e rejeitou esta idéia, por considerá-la absurda. Porém, assistiu a uma reunião na casa da Sra. Plainemaison, onde presenciou fenômenos que o impressionaram profundamente, como ele próprio relatou depois.

Daí, foi um passo para manter contato com os espíritos que o orientaram a escrever e codificar seus ensinos. Dizia Kardec que havia recebido a missão de pregar uma nova religião, o que começou a fazer a 30 de abril de 1856. Um ano depois, publicou “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, que contribuiu para propagação desta “doutrina”. Dotado de inteligência e inigualável sagacidade escreveu outros livros que deram mais força ao espiritismo: O Evangelho Segundo o Espiritismo, A Gênese, O Céu e o Inferno, e, O Livro dos Médiuns. Foi ele o introdutor no espiritismo da idéia da reencarnação. Fundou “A Revista Espírita”, periódico mensal editado em vários idiomas.

Rivail (Allan Kardec) morreu em 1869.

Para aqueles que desejarem conhecer um pouco mais sobre a história do espiritismo, indicamos a leitura dos livros que citamos no final.

O Conceito de Deus no Espiritismo

A doutrina espírita acerca de Deus é ambígua, ora assumindo aspectos deístas, ora aspectos panteístas, ora confundindo-se com a doutrina de Deus do Cristianismo histórico. Os autores espíritas parecem não conseguir estabelecer um consenso sobre esse assunto de vital importância. Até mesmos nas obras de um único autor encontram-se contradições flagrantes.

Sobre as qualidades de Deus, Allan Kardec define: “Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom”. (O Livro dos Médiuns, cáp. I, 13)

Mas, depois, definindo a alma, nega sua imaterialidade, alegando que o imaterial é o “nada”, ao passo que a alma é alguma coisa. Diante disto, será que o espiritismo acredita que Deus é nada?

A fim de explicar a existência de Deus, Allan Kardec, se vale de argumentos clássicos do deísmo, de que “não há efeito sem causa”. De acordo com o conceito deísta, Deus teria criado o universo e depois se retirado dele, deixando-o entregue à ação das leis físicas que, desde então, governam, como se o universo fosse um grande relógio.

No Capitulo II, item 19, de “A Gênese” (Allan Kardec), lemos que são atributos de Deus: “Deus é, pois a suprema e soberana inteligência; é único, eterno, imutável, imaterial, todo poderoso, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas perfeições, e não pode ser outra coisa”. Esta conceituação concorda com o que o Cristianismo histórico reconhece como alguns atributos divinos. Porém, o fato de uma determinada religião ou seita ter pontos em comum com o Cristianismo bíblico não é suficiente para lhe qualificar como cristã.

Embora o conceito espírita de Deus tenha nuanças deístas e ao mesmo tempo uma certa semelhança com a doutrina bíblica, é inegável que ela às vezes também possui um forte sabor panteísta. Senão, vejamos o que León Denis escreveu: “Deus é a grande alma universal, de que toda alma humana é uma centelha, uma irradiação. Cada um de nós possui, em esta latente, forças emanadas do divino foco.” (Léon Denis, Cristianismo e Espiritismo, 5a. ed., pág. 246). Conceito totalmente panteísta!

Em outro lugar, Denis faz as seguintes assertivas acerca de Deus e sua relação com o universo (conceitos também panteísta): “Deus é infinito e não pode ser individualizado, isto é, separado do mundo, nem subsistir à parte… [Deus é o] Deus imanente, sempre presente no seio das coisas [sendo que] o Universo não é mais essa criação, essa obra tirada do nada de que falam as religiões. É um organismo imenso animado de vida eterna… o eu do Universo é Deus.” (Léon Denis, Depois da Morte, pág. 114, 123, 124 e 349).

Entretanto a Palavra de Deus (a Bíblia), refuta com veemência estes ensinos. Façamos um rápido confronto doutrinário, em conformidade com a inspiração bíblica:

Deus é um ser pessoal: “Ele é um ser individual, com autoconsciência e vontade, capaz de sentir, escolher e ter um relacionamento recíproco com outros seres pessoais e sociais.” (Millard J. Erickson, Christian Theology, Baker Book House, Grand Rapids, 1986, p. 269). Citaremos a seguir algumas provas bíblicas da personalidade de Deus:

a) Ele fala: “E disse Deus: Haja luz; e houve luz.” (GN 1:3)

“HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,”

“A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.” (HB 1:1 e 2)

b) Ele tem emoções (sentimentos):

Misericórdia: “Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade.”

“Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem.” (SL 103:8 e 13)

Amor: “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” (1JO 4:8)

“E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (RM 5:5)

c) Ele tem vontade própria: “Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou.” (SL 115:3)

Deus é transcendente e imanente e também distinto de sua criação: A Bíblia mostra claramente que Deus não é um ser distante, que teria criado o universo e depois se ausentado dele, como pensa o deísmo. “Faz crescer a erva para o gado, e a verdura para o serviço do homem, para fazer sair da terra o pão,” (SL 104:14)

“Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.” (MT 5:45)

Pode-se ver, assim, que ele está presente na criação, tem interesse nela e cuida dela, principalmente do homem, criado à sua imagem e semelhança.

Transcendência: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado.” (1RS 8:27)

Imanência: “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? diz o SENHOR. Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o SENHOR.” (JR 23:24)

“ASSIM diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés; que casa me edificaríeis vós? E qual seria o lugar do meu descanso?” (IS 66:1)

Cristo no Espiritismo

Para falarmos na Divindade de Jesus Cristo, temos de falar também no assunto da Trindade, pois estas teses são básicas do Cristianismo bíblico e histórico e fazem parte do fundamento doutrinário que o distingue de todas as demais religiões e também da maioria das seitas pseudo-cristãs. O espiritismo, em geral, através de suas autoridades exponenciais, negam tanto a Trindade, quanto a Divindade de Jesus. Isto porque, em sua tentativa de oferecer ao homem um sistema religioso de auto-salvação, isto é, em que ele se salva por seus próprios méritos, excluem e negam a existência do Deus trino. Entretanto, a revelação bíblica aponta para a impossibilidade de o homem efetuar sua própria salvação, e mostra como o próprio Deus se encarnou para tornar possível ao homem o acesso ao seu Criador. No próximo item examinaremos a doutrina da salvação, do ponto de vista bíblico, em confronto com plano de salvação do espiritismo.

Grande parte dos escritores espíritas assumem uma posição frontalmente contrária à crença da Trindade. Para eles, Deus é um ser monopessoal, existindo em forma de uma só pessoa, o Pai, e negam que o Filho seja Deus e até rejeitam a existência do Espírito Santo como ser pessoal. O Jornal Espírita de março de 1953 respondendo à pergunta sobre se há mais de uma pessoa em Deus, declara o seguinte: “Não; a razão nos diz que Deus é um ser único, indivisível; que o Pai celeste é um só para todos os filhos do Universo”. (Jornal Espírita, Rio de Janeiro, março 1953, p. 4)

A Bíblia, a Palavra de Deus, revela-nos um Deus trino, isto é um Deus eternamente subsistente em três pessoas, iguais entre si em natureza, essência e poder.

Muitos usam as passagens seguintes para dizer que Deus é um só, ou seja, uma unidade absoluta:

“Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.” (DT 6:4)

“Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.” (IS 43:10)

“Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que tu não me conheças;” (IS 45:5)

“Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro.” (IS 45:6)

Essas passagens bíblicas afirmam claramente a unidade de Deus e demonstram que a natureza divina é indivisível. Poderíamos acrescentar outras passagens para reforçar esse aspecto da natureza de Deus. Entretanto, devemos levar em consideração que muitas vezes as Escrituras, principalmente no Antigo Testamento, apresentam determinadas realidades como sendo constituídas de uma unidade composta.

Por exemplo: o casamento. A Bíblia diz que “deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gn 2:24). É evidente que a unidade constituída por marido e mulher é uma unidade composta e não uma unidade simples ou absoluta. Da mesma forma, pode-se dizer que há no Antigo Testamento muitas evidências de que a unidade de Deus é uma unidade composta, como é indicado por muitas passagens, que revelam uma pluralidade de pessoas na Divindade. No Novo Testamento, por sua vez, a doutrina da Trindade é apresentada com clareza. (Para melhor compreensão, ver “A TRINDADE”)

O espiritismo não só nega a Divindade de Jesus, assim como defende a tese de que seu corpo não era real, de carne e ossos, mas fluídico, dando apenas a impressão de real.

Léon Denis, seguindo a mesma linha de pensamento de Kardec, segundo a qual Jesus teria sido mero homem e elevado à categoria de Deus por seus seguidores. Diz ele:

“Com o quarto Evangelho e Justino Mártir, a crença cristã efetua a evolução que consiste em substituir a idéia de um homem honrado, tornado divino, a de um ser divino que se tornou homem. Depois da proclamação da divindade de Cristo, no século IV, depois da introdução, no sistema eclesiástico, do dogma da Trindade, no século VII, muitas passagens do Novo Testamento foram modificadas, a fim de que exprimissem as novas doutrinas.”

Assim se expressa Roustaing quanto à natureza do corpo de Jesus:

“A presença de Jesus entre vós, durante todo aquele lapso de tempo, foi, com relação a vós outros, uma aparição espírita, visto que, pelas suas condições fluídicas, completamente fora dos moldes da vossa organização, seu corpo era harmônico com a vossa esfera, a fim de lhe ser possível manter-se longo tempo sobre a Terra no desempenho da missão com que a ela baixara.”

Não queremos aqui negar que Cristo veio em plena humanidade, pois Bíblia afirma reiterada vezes a plena humanidade do Filho de Deus. O apóstolo João condenou os ensinos gnósticos de sua época, que entre outros ensinos negavam que Jesus tivesse vindo em carne, dizendo que o seu corpo humano era mera aparência. Diz o apóstolo:

“AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (1JO 4:1)

“Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;” (1JO 4:2)

Quanto ao corpo de Jesus, vejamos o que o relato bíblico nos diz:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (LC 24:39)

Embora o corpo ressuscitado de Jesus tivesse propriedades extraordinárias, como a capacidade de materializar-se e desmaterializar-se:

“Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes.” (LC 24:31)

“E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco.” (LC 24:36)

Tinha também a propriedade de entrar em ambientes fechados:

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.” (JO 20:19)

Apesar das características acima, seu corpo era constituído de carne e ossos: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” (LC 24:39)

Embora não seja nossa intenção nos aprofundarmos num estudo sobre a humanidade de Jesus, acrescento que Cristo experimentou sentimentos e necessidades humanos não pecaminosos, como:

Cansaço: “E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.” (JO 4:6)

Sede: “Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.” (JO 19:28)

Fome: “E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;” (MT 4:2)

Quanto a divindade de Cristo, o testemunho das Escrituras é plenamente reconhecido. Tanto os espíritas quanto os Testemunhas de Jeová, negam a divindade de Cristo. Para uma melhor compreensão do assunto, convido-o a ler: A TRINDADE.

Plano de Salvação do Espiritismo

O espiritismo ensina que o homem, através de sucessivas reencarnações, pelos seus próprios esforços e pela prática das boas obras vai aprimorando-se a si mesmo, sem necessidade do sacrifício vicário de Jesus Cristo. A Bíblia nos diz que a nossa salvação é obra divina; o espiritismo diz que é esforço humano. A Bíblia diz que o sofrimento de Cristo visa a nossa expiação; o espiritismo diz que Jesus foi mero espírito adiantado, que nos serve apenas de exemplo. A Bíblia diz que o sangue de Cristo nos purifica de todo pecado e que o Espírito Santo nos ensina toda a verdade; o espiritismo, ignora a Trindade Divina, reduz toda a expiação à obra dos “espíritos” – os espíritos dos mortos, que nos orientam e aconselham, e o espírito de Cristo, que, tendo alcançado um nível superior, não obstante se encarnou para servir como exemplo.

Diz-nos Kardec, sobre a graça: “… se fosse um dom de Deus, não daria merecimento a quem a possuísse. O espiritismo é mais explícito, porque ensina que quem a possui a adquiriu pelos próprios esforços em suas sucessivas existências, emancipando-se pouco a pouco das suas imperfeições.” (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, IV, XVII)

Que contradição com as Escrituras! Deus não nos salva com base em quaisquer méritos pessoais nossos, mas unicamente por sua graça: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;”

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (RM 3:23 e 24)

O ensino espírita segundo o qual “Fora da caridade não há salvação” identifica a salvação com a prática de boas obras. Entretanto, as boas obras não salvam, nem ajudam ninguém a salvar-se. Paulo afirma em Efésios:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.”

“Não vem das obras, para que ninguém se glorie;” (EF 2:8 e 9)

Ele declara que fomos criados em Cristo para as boas obras: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (EF 2:10). Portanto, não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras.

As boas obras são o resultado da nossa fé em Cristo, pois quando nos tornamos novas criaturas, mediante a fé nele, abandonamos as práticas más e nos voltamos para a prática do bem. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2CO 5:17)

Logo, as boas obras são a manifestação do amor que a pessoa tem a Deus.

A Bíblia nos mostra claramente que todo o problema do homem é motivado pelo pecado, pois “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). Deus ama os pecadores, porém o pecado separa o homem de Deus:

“EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir.”

“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.” (IS 59:1 e 2)

O homem nada pode fazer para alcançar justificação diante de Deus. O sofrimento e as boas obras, como apregoa o espiritismo, jamais serão suficientes para vencer a distância que o separa de Deus, pois, como expressou o profeta Isaías, “… todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (IS 64:6)

O estado do homem é profundamente desesperador, porém não irremediável, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (JO 3:16)

Jesus Cristo veio ao mundo com objetivo específico de “dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10:45)

Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus pelos nossos pecados, para que possamos obter a salvação:

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;” (1 Pe 3:18)

“Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (1 Pe 2:24)

Que contraste com o que ensina o espiritismo! Vejamos o que escreveu Léon Denis ao negar o valor do sacrifício de Cristo em nosso lugar:

“Não; a missão do Cristo não era resgatar com o seu sangue os crimes da humanidade. O sangue, mesmo de um Deus, não seria capaz de resgatar ninguém. Cada qual deve resgatar-se a si mesmo, resgatar-se da ignorância e do mal. Nada de exterior a nós poderia fazê-lo. É o que os espíritos, aos milhares afirmam em todos os pontos do mundo”.

Percebe-se aqui uma contundente tentativa de negar o valor da obra expiatória de Cristo na cruz. Ao dizer que o sangue, “mesmo de um Deus”, não poderia resgatar ninguém, Denis está implicitamente, mais uma vez, negando a divindade de Jesus, a qual, como vimos, é afirmada pelas Escrituras.

O conceito espírita de salvação é aquele que a Bíblia chama de “outro evangelho”. Ele é tão contrário ao caminho da salvação de Deus que a Escritura o colocou sob a maldição divina:

“Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” (GL 1:6 a 8).

A salvação vem unicamente pela graça (favor imerecido) de Deus e não por qualquer coisa que a pessoa possa fazer para ganhar o favor de Deus, ou pela sua retidão pessoal. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. (Ef 2:8 e 9).

A Bíblia no Espiritismo

O espiritismo nega textualmente a inspiração divina da Bíblia, ensina que o registro bíblico não deve ser tomado literalmente.

Eis o que Kardec diz a respeito das Escrituras:

A Bíblia contém evidentemente narrativas que a razão desenvolvida pela ciência, não poderia aceitar hoje em dia; igualmente, contém fatos que parecem estranhos e repugnantes, porque se ligam a costumes que não são adotados… A ciência, levando suas investigações até a entranhas da terra, e à profundeza dos céus, tem pois demonstrado de modo irrecusável os erros da Gênese mosaica tomada à letra, e a impossibilidade material de que as coisas se hajam passado tal com estão relatadas textualmente… Incontestavelmente, Deus, que é todo verdade, não pode induzir os homens ao erro, nem consciente, nem inconscientemente, pois então não seria Deus. E, pois, se os fatos contradizem as palavras que a ele são atribuídas, necessário se torna concluir, logicamente, que ele não as pronunciou, ou que elas foram tomadas em sentido diverso… Acerca desse ponto capital, ela [a ciência] pôde, pois, completar a Gênese e Moisés, e retificar suas partes defeituosas.” (Allan Kardec, A Gênese, IV, 6, 7, 8 e 11).

Léon Denis, outra autoridade do espiritismo, assim se expressa sobre o valor da Bíblia;

“… não poderia a Bíblia ser considerada “a palavra de Deus” nem uma revelação sobrenatural. O que se deve nela ver é uma compilação de narrativas históricas ou legendárias, de ensinamentos sublimes, de par com pormenores às vezes triviais”. (Léon Denis, Cristianismo e Espiritismo, FEB, São Paulo, s.d., 7a. ed., pág. 267).

Assim, o espiritismo, através de suas maiores autoridades, nega a revelação divina encontrada nas Escrituras, relegando-as ao nível de uma mera compilação de fatos históricos e lendários. É curioso, entretanto, que querendo dizer-se cristão, o espiritismo freqüentemente lance mão das Escrituras, citando-as com profusão quando lhe convém.

Isto significa que para os espíritas não faz diferença se a Bíblia é ou não a Palavra de Deus – desde que possam usá-la quando desejam dar à sua crença uma aparência cristã, ou seja, citando passagens isoladas que parecem dar apoio à teorias espíritas. Quando, porém, o ensino claro das Escrituras refuta essas mesmas teorias, dizem então que elas não são a inerrante Palavra de Deus pela qual devemos testar o que cremos.

Portanto, o espiritismo não é uma religião cristã, pois nega a inspiração do Livro que é a base do cristianismo, assim como os seus ensinos. Com o que concorda o escritor espírita Carlos Imbassy, quando escreveu:

“O espiritismo não é um ramo do Cristianismo como as demais seitas cristãs. Não assenta seus princípios nas Escrituras… a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome – Espiritismo.” (Carlos Imbassy, À Margem do Espiritismo, p. 126)

Conclusão

Pelo exposto, diante das evidências da Palavra de Deus, sigamos os seus ensinos, pois ela, positiva e enfaticamente, condena o espiritismo e proscreve-o em todas as suas formas, tanto antigas como modernas.

Não poderíamos concluir nosso trabalho, sem informar a verdadeira identidade dos espíritos do espiritismo.

Não resta dúvida que seres espirituais fazem suas aparições e manifestam seus poderes nas sessões espíritas. O que desejamos saber é quem são esses seres desencarnados, que vêm ao nosso mundo por convite especial ou invocação dos médiuns.

Podem os mortos comunicarem-se com os vivos?

Para responder a esta e as perguntas que se seguem, apenas as Sagradas Escrituras, a revelação máxima da vontade de Deus, esclarecem com autoridade essa questão, dando-nos a verdadeira e plena satisfação de ter encontrado a resposta.

Gostaria que você lesse no evangelho, no livro de Lucas, a parábola do rico e Lázaro, que se encontra no capitulo 16, versículos de 19 a 31. Nesta passagem vemos claramente que os mortos não podem e não tem permissão para se comunicarem com os vivos. Demos ênfase ao versículo 26: “E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá.” (LC 16:26)

Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras um só indicio de que o homem, em seu estado atual, possa ter qualquer tipo de relação com os espíritos dos mortos. Pelo contrário, como vimos, o Senhor tem “as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18) e somente Ele tem poder para fazer sair dali os espíritos, o que fará nas duas únicas ocasiões, ou seja, na primeira ressurreição para os santos (1 Ts 4:16) e na ressurreição do juízo para os perversos (João 5:29). Enquanto aguardamos esse evento, o espíritos dos crentes que já morreram está com o Senhor, “ausente deste corpo e presente com o Senhor” (2 Coríntios 5:8); eles partiram para estar com Cristo (Filipenses 1:23), mas os espíritos dos perversos estão “em prisão” (I Pedro 3:19), motivo pelo qual não têm a liberdade de sair quando são “chamados”.

Se não resta dúvida que no espiritismo entra-se em contato com poderes sobrenaturais, com espíritos e forças extra-humanas e extraterrenas, capazes de manifestações surpreendentes, e se esses espíritos, segundo os ensinos das Escrituras, não pertencem aos mortos, então quem são eles? Qual é a sua história? Qual a sua missão? Onde habitam?

Quem são eles?

A Bíblia nos fala de seres espirituais, invisíveis aos homens, que algumas vezes se materializam e exercem poderes sobrenaturais. Tais forças espirituais compõem de duas classes: a de seres bons, chamados de anjos, a quem Deus usa para proteção e auxílio ao homem, e a de seres maus, que assim se tornaram porque voluntariamente se afastaram do plano original de Deus e tomaram parte num movimento de rebelião contra o governo de Deus.

Os anjos são seres espirituais criados por Deus, conforme está escrito: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.” (CL 1:16)

Mais ainda, as Escrituras afirmam que os anjos são uma ordem de seres mais elevada do que os homens:

“Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.” (SL 8:5)

Qual a sua missão?

Sabemos existir duas categoria de anjos: os bons e aqueles que se tornaram maus.

Os bons tem como missão sempre beneficiar o homem. São chamados na Bíblia “espíritos ministradores” ou mensageiros.” Deus os envia para socorrer a humanidade em diferentes circunstâncias da vida.

Anjos tem agido de modo maravilhoso em diferentes ocasiões, algumas vezes assumindo a forma humana, a fim de proteger a crianças e adultos. As Escrituras contem muitas histórias de tais ocasiões.

É bastante conhecida esta passagem que afirma esta realidade: “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra.” (SL 34:7)

Falando dos “pequeninos” Jesus nos diz sobre os anjos de guarda destes: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus.” (MT 18:10)

Também é bastante conhecido o relato do acontecido com Daniel: “O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano.” (DN 6:22)

Então, se os espíritos não são os mortos que voltam, podem ser os anjos bons? A resposta é definitivamente Não, pela simples razão de que os espíritos que aparecem nas sessões são impostores. Afirmam ser os espíritos de seres humanos mortos, e em dizendo isto proferem uma falsidade. Consequentemente, não podem ser anjos de Deus. Os anjos, como Deus, não mentem. O próprio espiritismo admite que alguns dos espíritos são mentirosos. Allan Kardec assevera que “os espíritos enganadores não tem escrúpulos em se abrigarem sob nomes que tomam emprestado, para fazerem aceitar suas utopias”. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, IDE, Introdução II, p. 12) Mais adiante ele nos diz: “O espiritismo vem revelar uma outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios que da Terra, passaram para a erradicidade, e se adornam com nomes veneráveis para procurar, graças à máscara com a qual se cobrem, recomendar idéias, freqüentemente, as mais bizarras e as mais absurdas.” (Idem, cáp. XXI, pág. 261).

Segundo as Escrituras, não somente alguns dos espíritos são mentirosos, como afirma Kardec, mas todos o são, porque mantém a falsidade e procuram passar por quem não são.

A única coisa que nos resta é identificar tais espíritos com as potências do mal, as quais Paulo chama “hostes espirituais da maldade”. Mas de onde vêm? Quem as criou? Pode um Deus perfeito e perfeitamente bom criar seres vis e enganadores?

Qual é a sua história? (A origem do mal)

Segundo o espiritismo, “O mal, sendo o resultado das imperfeições do homem, e o homem, sendo criado por Deus, Deus, dir-se-á, se não criou o mal, pelo menos a causa do mal; se houvesse feito o homem perfeito, o mal não existiria”. (Allan Kardec, A Gênese, cáp. III, item 9). Em outras palavras, diz o espiritismo que Deus, que Deus, “se não criou o mal, pelo menos (criou) a causa do mal”. No parágrafo seguinte desta citação encontramos: “Se o homem tivesse sido criado perfeito, seria levado fatalmente, ao bem”. Se Deus tivesse criado o homem perfeito, consequentemente, ele seria igual a Deus, seriam Deuses em potencial e não homens.

Diz-nos o relato bíblico que o homem foi criado “à sua imagem, conforme a sua semelhança” (Ver Gn 1:26 e 27). Deu também ao homem livre arbítrio. ou seja, a capacidade de resolução que depende só da vontade. Colocou a teste sua obediência quando disse: ” De toda a árvore do jardim comerás livremente,”

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (GN 2:16 e 17). Bem sabemos o final desta história. O homem desobedeceu a Deus e começou toda a sua desgraça. (Ver Gn 3)

Esta foi a história do pecado, a origem do pecado entre os homens. E a origem do mal? Onde teve seu princípio? Foi com a queda do homem? Certamente que não. Sua origem se deu muito antes da criação do homem.

Deus jamais criou um diabo ou demônios. Mas criou seres perfeitos e bons, com pode de livre escolha:

“Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas.” (EZ 28:14)

“Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.” (EZ 28:15)

“Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.” (EZ 28:17)

Deus criou um ser de exaltada beleza, de absoluta perfeição, de maravilhoso poder. Mas a inveja, o orgulho e a ambição egoística corromperam a sua santidade.

No Antigo Testamento, encontra-se registrada a triste história daquele que uma vez fora o ser mais exaltado do universo:

“Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”

“E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.”

“Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (IS 14:12 a 14)

A soberba e a ambição o corromperam. Quis ser semelhante a Deus. Ao iniciar a rebelião contra Deus, foi aviltado e expulso de sua magnífica morada, arrastando, em sua queda, importante contingente da hoste celestial que conseguira enganar.

O capítulo 12 de Apocalipse menciona uma grande batalho no Céu. Aí João, o revelador, fala da visão que Deus lhe deu:

“E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;”

“Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.”

“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” (AP 12:7 a 9)

Na sua queda, o diabo, satanás, a antiga serpente, aquele que fora Lúcifer (filho da alva), arrastou a terça parte dos anjos com ele:

“E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.” (AP 12:4)

São eles que estão por trás do espiritismo, o diabo e seus anjos caídos!

Onde habitam?

Deixemos que a Palavra de Deus responda:

“E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;”

“Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.”

“E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” (AP 12:7 a 9)

Conclusão

As forças misteriosas que produzem as estranhas manifestações sobrenaturais nas sessões se distinguem por três características, e a Bíblia as atribui a Satanás e seus anjos – os demônios:

São seres espirituais invisíveis, e só ocasionalmente se materializam, numa forma enganadora.

São mentirosos, impostores, pois se declaram espíritos de mortos, ao passo que a Bíblia afirma que os mortos não podem comunicar-se com os vivos e vice-versa.

Jesus Declara a respeito de Satanás: “Não há verdade nele; quando fala mentira, fala do que lhe é próprio; pois é mentiroso, e pai da mentira”. (Jo 8:44)

Desde que lançado fora do Céu com os seus anjos, o principal objetivo de sua existência tem sido enganar, seduzir, impelir os homens para a ruína, e opor-se a toda verdade com respeito a sua própria natureza e a natureza de Deus. Os espíritos nas sessões mostram-se impostores porque declaram falsa identidade.

São inteligências poderosas e capazes de realizar coisas impossíveis ao homem. Investigações científicas têm provado que as manifestações espíritas são inexplicáveis na moldura de leis naturais conhecidas, e devem ser incluídas entre os fenômenos chamados em linguagem religiosa “milagres”.

Dizem as Escrituras que Satanás e seus espíritos malignos agem “com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira”. O apóstolo João disse: “E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse.” (AP 13:13 e 14)

Jesus advertiu a todos os cristãos: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (MT 24:24)

Muito embora tenhamos a mais sincera consideração pelos que ativamente promovem o espiritismo, sentimo-nos obrigados a afirmar, com a autoridade da Bíblia, que o espiritismo tem origem satânica, e sua prática não somente engana os homens, afastado-os do único caminho da salvação mediante o evangelho (que aponta para Jesus Cristo e seu sacrifício vicário), mas freqüentemente perturba a alma, confunde as faculdades mentais e precipita o ser humano numa escravizante dependência dos espíritos, levando à desorientação e ao desespero.

É por isto que a Bíblia condena o espiritismo.

Bibliografia:

1. Forças Misteriosas Que Atuam Sobre a Mente Humana, Fernando Chaij, Casa Pub.Brasileira.
2. Grandes Verdades Sobre o Espiritismo, Reginaldo Pires Moreira, JUERP.
3. O Império das Seitas, Walter Martin, Editora Betânia.
4. Desmascarando as Seitas, Natanael Rinaldi e Paulo Romeiro, Casa Publ. das Assemb. de Deus.
5. Seitas e Heresias, Raimundo F. de Oliveira, Casa Publ. das Assemb. de Deus.